Vamos imaginar um enorme ímã no interior da Terra, inclinado cerca de 11 graus com o eixo de rotação e um deslocamento cerca de 550 km a partir do centro da Terra, poderia ser responsável por 90% do campo magnético observado. Poderíamos explicar os 10% restantes, colocando ímãs menores em locais estratégicos ao redor do ímã principal.
Essa descrição simples fornece uma maneira de tentar explicar o campo magnético e que não representa o que realmente se passa no interior da Terra. Também não pode ser usado para calcular a força e direção do campo magnético. Matematicamente, o campo magnético da Terra é normalmente descrito por uma expansão esférica harmônica, uma série de funções especiais esféricas de latitude/longitude e seus coeficientes. Na verdade o núcleo da Terra funciona como um gigantesco dínamo. Vamos lembrar como funciona um dínamo: ele convertendo energia mecânica em elétrica, através de indução eletromagnética. É constituído por um ímã e uma bobina.
A teoria do dínamo descreve a conversão contínua de energia cinética em energia magnética em todo o volume de um fluido eletricamente condutor. É o que acontece no núcleo da Terra e esse fuido eletricamente condutor é o Ferro.

A fonte do campo magnético da Terra é o núcleo externo de ferro liquido. Ele se move de formas complexas, como resultado da convecção do calor no núcleo e da rotação do planeta. O movimento do fluido do núcleo é contínuo e não pára, mesmo durante uma inversão. Ela só pode parar quando a fonte de energia falhar ou alguma coisa “desligar o interruptor”.
O calor é produzido, pelo menos, em parte devido à solidificação do núcleo líquido para o interior do núcleo sólido que se situa no centro da Terra. Este processo tem operado de forma contínua ao longo de bilhões de anos. Na parte superior do núcleo líquido, cerca de 3.000 km sob nossos pés e abaixo do manto rochoso, o fluido pode viajar a velocidades horizontais de dezenas de quilômetros por ano. O movimento deste fluido de metal quente, formam as linhas de campo magnético que produz correntes elétricas e estes, por sua vez, geram campo magnético. Trata-se de um processo conhecido como advecção. Para equilibrar qualquer crescimento do campo e, assim, estabilizar o que chamamos de “geodínamo”, precisamos de difusão. Em última análise, o fluxo de fluido do núcleo produz um padrão de campo magnético complicado na superfície da Terra, que varia com o tempo.
Simulações do geodínamo em supercomputadores têm demonstrado a natureza complexa do campo e seu comportamento ao longo do tempo. Simulações revelaram também a inversão de polaridade, em que o pólo Norte magnético é substituído por um pólo sul, e vice-versa. Em tais simulações, a força do dipolo principal parece enfraquecer, talvez até cerca de 10% do seu valor normal e os pólos existentes podem vaguear através do globo e ser acompanhado por outros polos N e S temporários.
O núcleo de ferro sólido no interior da Terra tem sido demonstrado nestas simulações ser importante no controle do processo de inversão. Por se tratar de um sólido, o núcleo interno não pode gerar o campo magnético por advecção, mas qualquer campo, que é gerado no núcleo exterior fluido pode difundir ou espalhar-se. O processo de geração de campo (advecção) no núcleo externo parece inverter regularmente. Essencialmente, o núcleo interno resiste a qualquer campo “novo” e, talvez, apenas um em cada dez tentativas de reversão desses é bem sucedida.
Vale ressaltar que esses resultados, embora muito interessantes, não são conhecidos por ser estritamente verdadeiro na Terra “real”. No entanto, existem modelos matemáticos de campo magnético da Terra nos últimos 400 anos, com os primeiros modelos baseados principalmente em observações feitas por marinheiros da marinha mercante e transporte naval. A partir desses modelos e extrapolando, sabe-se que as regiões de fluxo invertido na fronteira núcleo-manto tem crescido ao longo do tempo. Nestas regiões, a bússola aponta na direcção oposta, dentro ou para fora do núcleo, em comparação com a das zonas circundantes. É o crescimento da área de fluxo invertido sob o Atlântico sul (Anomalia Magnética do Atatlantico Sul), que é a principal responsável pela deterioração no campo principal bipolar. A denominada Anomalia magnética do Atlântico Sul, centrado sobre o Brasil está exposta a partículas energéticas que podem se aproximar bem perto da superfície de Terra, causando risco de aumento de radiação que podem danificar satélites em órbita baixa da Terra e fenômenos que ainda não podemos prever…
Com as recentes descobertas feita pelo robô da Nasa Curiosity, sobre evidências de que existe água em Marte, e sabendo que esse planeta é o mais parecido com a Terra dentro do Sistema Solar, podemos prever os efeitos da perda do campo magnético, como ocorreu em Marte há bilhões de anos e as consequências desse evento. A perda do campo magnético em Marte há bilhões de anos pôs fim à vida no planeta, se é que existiu alguma vida ali. Lembrando que com o campo enfraquecido, o vento solar foi então capaz de arrancar a atmosfera de Marte e com isso houve um aumento da radiação cósmica chegando até a superfície.
O campo magnético da Terra sempre se refez, mas ele continua a girar e a enfraquecer. O projeto, chamado Swarm, enviará dois satélites a uma órbita polar a 450 Km de altura para medir as mudanças no campo magnético. Um terceiro será enviado a 530 Km de altura para observa a influência do Sol.
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